Muse no Brasil

Muse no Brasil

Para a alegria deste que vos escreve e de muitas outras pessoas por aí, o sensacional Muse chega  no para Brasil realizar 2 shows essa semana: um foi no no Rio de Janeiro ontem (22/10) e amanhã (24/10) no Allianz Parque em São Paulo, em turnê de seu novo álbum Drones (lançado 5 de Junho deste ano).

Para variar um pouquinho, vamos ter algumas considerações pessoais, uma revisão sobre a banda e seus álbuns anteriores. Vamos lá!

 

Não sei se já disse alguma vez isso aqui, mas Muse é uma das minhas bandas favoritas. Entretanto, eu costumo separar Muse em 2 fases bem distintas: Até o lançamento do álbum Black Holes and Revelations (ou pré-2006, para facilitar) e após o lançamento do Black Holes and Revelations (ou pós-2006), e o Muse “uma das bandas favoritas do Cauê” é o Muse pré- 2006. Isso não quer dizer que eu não goste de tudo que foi lançado depois desse ano (na verdade, eu acho o Muse pós-2006 uma banda excelente, até melhor que a de antes, mas sem um apelo tão grande comigo). Para facilitar a compreensão desta verborragia, vamos conhecer um pouco mais da história da banda:

01 Showbiz

Formada em 1994 em Teignmouth, uma pequena cidade inglesa de 15 mil habitantes, pelo vocalista/guitarrista/pianista Matt Bellamy, pelo baixista Chris Wolstenholme e pelo baterista Dominic “Dom” Howard, os rapazes começaram tocando em sua cidade e participando de festivais de banda regionais com diversos nomes antes de adotar o nome Muse. Em 1998 a banda lançou seu primeiro EP.

Em 1999 foi hora de dar o segundo passo e lançar seu álbum de estréia. O Showbiz (1999) foi lançado dia 4 de Outubro e atingiu a 29ª posição nas paradas do Reino Unido. Composições com letras densas, guitarras nervosas, arranjos de piano, e com Dom Howard e Chris Wolstenholme dando todo o groove e enchimento que as musicas necessitavam, muita influência de Radiohead e um pouco menos do Rage Against the Machine, o Showbiz foi um belo álbum de estréia para a banda que, apesar de um sucesso modesto (certificação de platina na Inglaterra e ouro na Austrália), mostrou o potencial que a banda tinha e suas chances de um futuro promissor. Entre as músicas que valem a ouvida estão Muscle Museum, Cave, Unintended, Escape, Showbiz e Fillip.

02 Origin of Symmetry

17 de Julho de 2001 foi a data de lançamento do segundo álbum da banda (e o favorito de muita gente que conheço), o Origin of Symmetry. O álbum mostrou ser uma obra muito mais amadurecida que seu antecessor, entretanto a energia visceral e concepção “fora da caixa” continuaram firmes e fortes nas composições da banda. O álbum atingiu 3º lugar nas paradas britânicas, segundo lugar nas francesas e 161º na Billboard 200 (EUA), 3 certificados de Platina e um de Ouro, um grande avanço em relação ao Showbiz. O Origin of Symmetry é um excelente álbum, mas não chega ao nível de álbuns em que TODAS as faixas valem à pena (como o The Bends do Radiohead, por exemplo), mas chega bem perto disso. Entre os destaques do álbum, colocaria facilmente um dos primeiros hits da banda, Plug In Baby, além de algumas das minhas favoritas de todos os tempos: Space Dementia, Citzen Erased e Megalomania. Feeling Good e New Born também merecem uma ouvida.

Agora teremos o momento mais “tiete” do texto, uma vez que vamos falar do meu álbum favorito da banda, e um dos meus favoritos da vida. Lançado 15 de Setembro de 2003 no Japão e 29 de Setembro de 2003 na Grã-Bretanha, o Absolution chegou para alçar o Muse a um novo nível. Enquanto o Showbiz e o Origin of Symmetry arrancavam suspiros e prendiam a atenção pela energia passada e pelas composições, eles ainda deixavam um pouco a desejar na questão de produção e arranjos, principalmente quando comparados com álbuns clássicos e clássicos modernos, porém o Absolution trouxe o balanço quase perfeito entre sinceridade e energia com produção.

03 Absolution

O Absolution atingiu 1º lugar nas paradas do Reino Unido e da França, e 107º na Billboard 200 (EUA), além de ter recebido 4 certificações de Platina e 4 de Ouro. Foram canções do Absolution que também fizeram o Muse entrar na Alternative Songs (parada rock alternativo dos EUA) pela primeira vez em 31º lugar com Stockholm Syndrome, e entrar no Top 10 (8º lugar) das paradas Britânicas com Time Is Running Out. Este é um dos exemplares de álbuns que merecem ser ouvidos de cabo a rabo sem pular nenhuma faixa, mas é possível fazer algumas recomendações, como a sensacional e agressiva Stockholm Syndrome (a música responsável pela minha paixão por Muse), a abertura do álbum de tirar o fôlego com Intro/Apocalypse Please, a grandiosa e maravilhosa Butterflies and Hurricanes, a elíssima Blackout e as reflexivas The Small Print e Thoughts of a Dying Athetis.

Também vale muito a pena procurar os lados B deste álbum, Fury e The Groove. 3 de Julho de 2006 foi a data de lançamento do próximo álbum da banda, Black Holes and Revelations. A banda recebeu 11 certificados de Platina ao redor do mundo, mais 2 de Ouro, e seu trabalho foi aclamado pela crítica. Com esses números era fácil imaginar que o Muse entraria logo no hall dos grandes nomes do rock em atividade. O álbum atingiu 1º lugar nas paradas Inglesas, Australianas, 2º lugar nas Francesas e 9º na Billboard 200 (EUA).

04 Black Holes and Revelations

Com uma produção ainda mais robusta que o Absolution, as canções de Black Holes and Revelations tinham arranjos surpreendentes e grandiosos, atributos que ajudaram a tornar o Muse uma das maiores bandas de arena (artistas que costumam fazer shows em grandes palcos, como em estádios de futebol) da atualidade. Por outro lado, a banda começa a perder seu lado mais espontâneo e feroz. Definitivamente isso foi causado pelo amadurecimento dos integrantes e da evolução da estrutura e recursos disponíveis à banda, isso foi visto com bons olhos por muitas pessoas e abriu ainda mais o mercado mainstream para a banda. Entre as faixas que recomendo do álbum estão: Take a Bow (trilha do segundo trailler de Watchmen), Starlight, Supermassive Black Black (trilha do primeiro filme da série Crepúsculo), Invincible, Assassins (trilha do jogo Guitar Hero World Tour), City of Delusion e Knight of Cydonya (trulha dos jogos Guitar Hero 3 e Rocksmith 2014).

Três anos e alguns mesinhos depois, Muse fazia seu próximo lançamento. Desta vez, os olhos e ouvidos de fãs e da crítica voltaram-se na mesma direção. Lançado em 14 de Setembro de 2009 (um presente de aniversário para este que vos escreve), o The Resistance foi o quarto álbum de estúdio lançado pelos ingleses. Uma evolução natural do Black Holes and Revelations, o álbum contra com grandes arranjos e peças lindíssimas montadas em torno do piano e de orquestrações. Entretanto, é notável que com o passar do tempo o grupo perdeu o ímpeto e a agressividade necessária para composições mais pesadas, todas as poucas tentativas de voltar ao som original da banda do começo dos anos 2000 (como em Unnatural Selection) parecem reinterpretações anêmicas de lançamentos anteriores.

05 The Resistance

Apesar destes pequenos detalhes, o álbum foi recebido muito bem pela crítica e também foi um sucesso comercial. O álbum atingiu o primeiro lugar nas paradas da maioria dos países europeus (tirando Suécia e Protugal, ficando em 8º e 2º respectivamente), além do 3º lugar na Billboard 200 (EUA). O álbum recebeu 11 certificações de Platina ao redor do mundo e mais uma de Ouro A cereja em cima do bolo: A banda levou o Grammy de 2012 de Melhor Álbum de Rock com The Resistance.

Entre as faixas recomendadas estão Uprising, Resistance, a grande peça de piano com muita influência de Queen United States of Eurasia (+Collateral Damage), Unnatural Selection e o encerramento magnífico do álbum dividido em 3 partes, Exogênesis: Symphony Part 1 (Overture), Exogênesis: Symphony Part 2 (Cross-Pollination) e Exogênesis: Symphony Part 3 (Redemption).

06 The 2nd Law

1 de outubro de 2012 foi a data de lançamento do The 2nd Law, na humilde opinião deste que vos escreve, o álbum com a capa mais bonita mas o conteúdo mais fraco da banda. No que pode ser considerado por alguns um princípio de megalomania musical por parte da banda, há tantos estilos misturados num mesmo álbum que dá a impressão de estar ouvindo a um acidente de carro de gênero e subgêneros, e não a um artista já consagrado explorando suas novas influências. Infelizmente é o álbum com o som menos característico do Muse, como se em sua busca por novidades e novas influências eles tivessem perdido a essência da banda. Mas isso não quer dizer que o álbum é RUIM. No auge da fama, o Muse ganhou um merecido reconhecimento quando Survival, uma das faixas do 2nd Law, foi escolhida como trilha oficial dos Jogos Olímpicos de Londres.

O álbum foi recebido com críticas favoráveis pela mídia especializada, e também obteve bons resultados de venda. O álbum alcançou 1º lugar nas paradas Inglesas e Francesas, 2º em boa parte da Europa e também 2º lugar na Billboard 200 (EUA). Entre as recomendações do álbuns estão Supremacy (que poderia ser musica tema de qualquer filme do 007), a dramática e belíssima Survival, a dançante Madness, a eletrizante Animals, a tranqüila Exploreres e o dubstep (sim, dubstep) nervoso de The 2nd Law: Unsustainable.

07 Drones

Para encerrar a retrospectiva dos 7 álbuns de estúdio do Muse, vamos falar do mais recente lançamento, o Drones, lançado dia 8 de Julho de 2015. A banda tentou voltar ao som “de raiz”, mas sem perder a produção e o aspecto grandioso que a banda vem desenvolvendo desde 2006, com o Black Holes and Revelations. Desta forma, Drones nasceu como um álbum conceitual, nos moldes de uma ópera-rock contando a história de uma personagem que perde tudo na vida, sofre uma lavagem cerebral pelo (suposto) exército e depois se rebela contra o sistema, desencadeando os eventos que o levariam a ruir.

O álbum recebeu críticas favoráveis em sua maioria, com menções a forma interessante de contar uma história com uma moral manjada de que “a guerra é ruim”, mas fugindo dos clichês. O álbum atingiu 1º lugar na maioria das paradas européias e também atingiu o inédito 1º lugar na Billboard 200 (EUA). Entre as indicações do álbum estão Psycho, Reapers, The Handler, Defector e a brilhante e arrepiante The Globalist. Com base nos setlists da turnê deste ano, que já realizou quase 50 shows (com o nome Psycho Tour antes do lançamento do álbum e Drones Tour após o lançamento), teremos boa parte do novo álbum, contando com Psycho, Reapers, Dead Inside, Mercy e The Handler. Também há boas chances de rolar alguns clássicos do Black Holes and Revelations como Knights of Cydonia, Supermassive Black Hole e Starlight. Entre as canções mais antigas, boas chances de ouvirmos Hysteria, Time is Running Out, Stockholm Syndrome e Apocalypse Please do Absolution, e chances razoáveis de ouvirmos Plug In Baby do Origino f Symmetry. Lembrando que o Muse é famoso por suas performances ao vivo impressionantes, e geralmente seus shows serem um espetáculo tanto visual quanto sonoro.

Espero que tenham aproveitado a leitura! Até mais!!

Cauê Moalli

Cauê Moalli

Guitarrista que entende de boa música. Gosta dos mais variados tipos de sons mas tem um amor inveterado por Led Zeppelin.
Cauê Moalli

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