Sobre “Meninas Malvadas” e Girl Power

Sobre “Meninas Malvadas” e Girl Power

Esses dias resolvi assistir Meninas Malvadas e uma série de outros filmes adolescentes. É engraçado como nossa percepção vai mudando conforme crescemos e vivenciamos coisas. Quando o filme estreou em 2004, eu tinha acabado de completar 17 anos, hoje 13 anos mais velha enxergo os absurdos de já ter visto por aí pelo menos um dessas Meninas Malvadas.

O filme para quem assistiu e assimilou seu propósito, é uma baita crítica aos relacionamentos sociais tóxicos. Aborda sobre bullying, status quo e necessidade de aceitação em massa. Não é a toa essa fama toda, o filme tem participação criativa da Tina Fey, uma atriz excelentíssima e mega inteligente, e que também atua no filme como a professora Srta. Norbury.

Vamos pular a parte de falar sobre o filme e ir direto ao assunto:

Por que ainda existem as Meninas Malvadas? Por que somos essas garotas que não conseguem enxergar umas a outras pelo que somos além da rivalidade?

De uns tempos para cá ouvimos muitas palavras novas como Feminismo e Sororiedade, e apesar de somente agora as discussões estarem começando a dar as claras, os temas são necessários a muito mais tempo do que imaginamos.

E essa guerra entre meninas começa a aparecer justamente na escola, em alguma fase da adolescência. Eu me lembro do primeiro contato que tive com uma Menina Malvada, eu tinha cerca de 13 anos e a minha vida começou a mudar muito por conta da escola.

Na escola vivenciamos pela primeira vez as diferenças sociais e os esteriótipos. Sempre tem o mais rico, o mais popular, o mais bonito e por aí vai.  E como toda criança em fase de mudanças, ser aceito é imprescindível para que a adolescência não seja um inferno. E as confusões entre meninas costumavam ser as mais comuns.

Seja por gostar do mesmo garoto da classe, ou da mesma música da boy band, tudo virava um tremendo desaforo. A parte ruim? Difamações, fofocas, exclusão de pessoas e uma série de comportamentos odiosos por simples porcarias.

Hoje, com 30 anos percebo o quanto de energia é gasto quando tentamos rotular uns aos outros. Mas até pouco tempo ainda me sentia essa adolescente julgada e que tinha que fazer parte. O chato é que achamos que essas coisas não nos definem, e de fato não deveriam. Mas a verdade é que a adolescência demora para sair da nossa vida, e tem gente que não se dá conta disso.

Desculpa, mas é verdade!

Existem muitas garotas que ainda praticam de suas “maldades” fora da escola. Brigam pelo mesmo cara, fofocam sobre outra mulher, competem por popularidade e outras atrocidades.

Não é fácil se policiar e politizar o tempo todo, vivemos em uma sociedade que exige que sejamos as mais lindas, populares, sorridentes e felizes do planeta. O problema é quando você ultrapassa os limites para conseguir ter tudo isso, e o limite é ferir outra garota.

Quando conseguimos enxergar que nenhum aplauso (ou like) nesse mundo vai compensar entrar em desavença com outra pessoa, nossa vida se torna livre. Eu já tive meus momentos de errar e entrar nessa brincadeira ácida de garota sendo tóxica com garota a troco de nada.

E assim como no filme, uma redenção deve ser alcançada. Devemos aprender que estamos todas no mesmo  barco, querendo as mesmas coisas e temendo os mesmos obstáculos.

Na fase da adolescência nosso maior medo é o relacionamento com os outros, e por incrível que pareça é um dos poucos medos que podem perseguir uma pessoa até a vida adulta. As mulheres sempre foram colocadas em pressão para atenderem a padrões de beleza, popularidade e expectativas de criação de família.

Mesmo hoje com tanta mudança e luta por direito e liberdade de escolha, a mulher ainda passa por julgamentos ridículos sobre o que veste, onde vai, com quem sai e ainda sobre suas opiniões.

Se você já encontrou uma Menina Malvada sabe que pode ser muito chato, mas acredite, em algum momento você também da foi a Menina Malvada na vida de alguém. E é possível corrigir essas coisas com atitudes simples:

1 – Pare de usar o termo inimiga! Uma das coisas mais insuportáveis que alguém pode dizer é que tem inimigos. Ninguém consegue agradar todo mundo, e muitas vezes vão nos virar a cara sem motivo. O problema é quando desdenhamos demais a atitude dos outros para enriquecer as nossas. É bobo e sem fundamento.

2 – Não chame a outra de vadia! Infelizmente eu concordo com a opinião do “dar mau exemplo”. Quando chamamos outra mulher de vadia, piranha e outros termos, estamos dando margem para que outras pessoas, em suma os homens, façam isso também. A objetificação da mulher começa quando a reduzimos somente a uso sexual. Falar que uma garota precisa de “rola” ou que ela é “rodada” é reduzi-la somente ao sexo, como se nada além tivesse importancia.

3 – Não é preciso competir! Essa é a que mais custa a se aprender. As mulheres brigam no mercado de trabalho, nas atividades do dia a dia e até mesmo na vida social por muito tempo. Isso acontece pelo fato de termos uma fatia menor de empregos, circulos sociais e até mesmo voz em muitas competências do dia-a-dia. Não digo que em todas as situações seja assim, mas ainda é possível ver mulheres em cargos bem pequenos, ou então sendo subjugadas na familia. Isso cria uma necessidade de preservação tóxica, onde ela joga em outra mulher o fardo de perder para que ela ganhe na vida. E não, não deve ser assim!

4 – Gongar com outras pessoas! Parece muito bacana assistir Meninas Malvadas e querer ser a Regina George. Ela é loira, linda e popular. Nada dá errado em sua vida. Porém ela é extremamente carente da atenção e criação dos pais e por isso toma atitudes idiotas todos os dias, subjugando outros na escola para ser a rainha. E para ela ter sucesso coloca sempre algumas garotas em sua sombra, chamando-as de “melhores amigas”.

Você já viu alguém assim? Eu já, e posso dizer: é estúpido! Nada de bom sai de grupinhos que se reuniram com o propósito de falar de alguém. Aquele velho ditado “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” nada mais é do que pura babaquice.  Se alguém que você se aproximou ferrou com alguém, é bem provável que você seja o próximo na lista.

5 – Cuidado com suas “sinceridades”! Não confunda ser sincera com ser grossa. Não é bonito e também não é útil. Cada garota passa por seus próprios dilemas na vida. Algumas são mais seguras de si e outras ainda tem dificuldade em se aceitarem como são. Boas amigas dão conselhos que enriqueçam, não que coloque a pessoa para baixo.

É preciso agir com sinceridade mas com empatia. Garotas ajudando garotas sem mais agressões verbais do que as que infelizmente já ocorrem.

 

E que possamos ser as melhores versões de nós mesmas. Aprendendo a cada dia!

Sarah Campos

Sarah Campos

Fundadora do Sahssaricando. Vive com a cabeça no mundo da lua, parou no tempo do Balão Mágico e tem alma oitentinha. Gosta de assuntos bons o suficiente para render horas de conversa e é uma eterna aprendiz da vida.
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